Ciência e Tecnologia

UNICAMP INICIA OPOSIÇÃO AOS “ATAQUES” DO GOVERNO FEDERAL

Com a presença de  mais de 5000 alunos , funcionários e professores, a UNICAMP Universidade Estadual de Campinas decidiu em Assembléia Geral, realizada no Ciclo Básico , e por unanimidade,  lançar uma Moção Publica  (ou declaração oficial) única contra a atual política  de Educação, Ciência e Tecnologia  do  governo Bolsonaro “em Defesa da Educação Pública e da Autonomia Universitária”  que será assinada  pelo reitor  Marcelo Knobel e todos os Pro Reitores, a Coordenadora  Geral Tereza Atvars , a ADUNICAMP  (Associação dos Docentes da Unicamp) , STU  (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp) , DCE  (Diretório Central dos Estudantes)  vários Centros Acadêmicos , APG (associação dos Pos Graduandos)  além da assinatura de  vários diretores, funcionários  professores e alunos. Além dessas, diversas outras entidades da comunidade acadêmica falaram durante o ato, quase que sempre   contra as medidas do Ministério de Educação de contingenciamento de  recursos para  tais áreas. A MAIORIA DEFENDEU QUE A UNICAMP PEÇA  O MESMO DAS OUTRAS  UNIVERSIDADES SE UNA CONTRA ISSO

Para a assessoria de imprensa da  Unicamp cerca de 8000 oito mil pessoas compareceram à Assembléia.

FORA JONAS – Contra as escolas militares

O secretário municipal de Desenvolvimento  Econômico André Von Zuben foi vaiado em sua fala e recebeu uma manifestação  dos estudantes  contra o governo Jonas Donizetti contra a militarização do ensino básico municipal de Campinas como anunciado por Jonas. E com gritos de “FORA JONAS”.  Os estudantes também defenderam o fim da Policia Militar.

 

VEJA A INTEGRA DA ASSEMBLEiA PELO LINK

Essa é a segunda  vez que a  Unicamp realiza uma  Assembléia Geral. A primeira de 1981 NÃO FOI  realizada pela Reitoria . Mas por estudantes professores e  funcionários e suas entidades DCE ADUNICAMP ASSUC contra a decisão do governador Paulo Maluf de indicar  um reitor interventor.

Reitor diz que o objetivo é convencer o governo a mudar de direção

O reitor Marcelo Knobel  abriu a Assembleia Universitária Extraordinária considerando “um dia histórico”, porque era “a primeira vez em 53 anos” de história que a Unicamp convoca um movimento nestas proporções.  Segundo  ele o objetivo era mostrar para  a sociedade que há uma união das entidades acadêmicas em geral em torno de uma causa comum: a defesa da Autonomia Universitaria e da redução de recursos para a educação em geral, ciência e tecnologia.

Segundo o  Reitor  a assembléia foi  necessária como reação ao contexto atual de drástica redução de recursos federais destinados ao financiamento de bolsas e demais auxílios à pesquisa, essenciais para milhares de estudantes brasileiros e para a sustentabilidade do sistema nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.  Knobel  citou  em microfone  que o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) registrou este ano um déficit de R$ 330 milhões e  a CAPES  (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), de R$ 800 milhões E que a FINEP (Financiadora de Inovação e Pesquisa) está paralisada pela falta de recursos necessários para honrar compromissos assumidos. “Nenhum país em crise financeira corta recursos em educação e ciência, ao contrário, são essas áreas que permitem a recuperação e o desenvolvimento econômico”, afirma o reitor Marcelo Knobel.

“A participação das entidades acadêmicas na definição do texto da moção expressa a união de todos em torno de uma causa comum”, disse Knobel. Segundo ele, a moção contempla a preocupação da comunidade com os recentes ataques sofridos pelas universidades públicas. “Nesse cenário preocupante para o país, também precisamos nos unir para a preservação da autonomia universitária como princípio constitucional”, completou.

A proposta de promover uma assembleia universitária extraordinária começou a tomar corpo a partir de uma iniciativa dos estudantes de graduação e pós-graduação, por meio de diversos centros acadêmicos, Diretório Central dos Estudantes (DCE) e da Associação de Pós-Graduação (APG), que em agosto protocolaram um documento pedindo a realização de um ato para discutir os ataques sofridos pelas universidades.

 

Leia na íntegra a Moção aprovada. 

MOÇÃO DA UNICAMP À SOCIEDADE

15/10/2019

A comunidade acadêmica da Unicamp manifesta sua indignação diante dos reiterados ataques contra a educação e a ciência perpetrados no Brasil nos últimos meses, e conclama a sociedade a unir-se em defesa da universidade pública gratuita, laica, socialmente referenciada e de qualidade.

Neste momento preocupante da história nacional, caracterizado por uma crise econômica e política sem precedentes, é vital que as universidades públicas reafirmem seu valor e ressaltem a importância da autonomia para o cumprimento de sua missão.

Como se sabe, a missão primordial de universidades como a Unicamp, mantidas com recursos provenientes de impostos, consiste em formar pessoas altamente qualificadas, desenvolver pesquisas de impacto e colocar o conhecimento que produzem à disposição da sociedade por meio de atividades de extensão e assistência.

Ao mesmo tempo, espera-se das universidades públicas que acompanhem as transformações acadêmicas, científicas, tecnológicas, sociais e culturais do mundo contemporâneo, buscando formas de promover a diversidade e a inclusão social em suas comunidades, de ampliar a transparência de seus processos e de atender aos objetivos de desenvolvimento sustentável.

Nada disso é possível sem que se observe o princípio da autonomia, garantido às universidades públicas pelo artigo 207 da Constituição Federal de 1988. Atentar contra a autonomia significa impedi-las de fazer suas próprias escolhas, fundamentais para a criação e manutenção de um ambiente estimulante, desafiador, criativo, dinâmico e, sobretudo, de respeito às pessoas e à diversidade de opiniões.

Os obstáculos que têm sido impostos às universidades públicas – seja por meio de cortes orçamentários diretos, diminuição dos recursos direcionados às agências de fomento ou pressões de natureza econômica, ideológica ou social – colocam em risco a estrutura do sistema nacional de ciência, tecnologia, inovação e ensino, deixando o país sujeito ao retrocesso e ao obscurantismo.

Os argumentos nos quais se baseiam os ataques recentes, fortemente marcados pelo anti-intelectualismo e por um profundo desprezo pelo conhecimento científico, revelam uma visão equivocada da função da educação superior e da ciência. Os recursos de que as universidades públicas necessitam para realizar suas atividades-fim não podem jamais ser encarados como um custo para o Estado, mas sim como um investimento no futuro do país.

No Brasil, assim como em todos os países desenvolvidos, a pesquisa nas universidades é financiada majoritariamente pelo Estado, por meio de suas agências de fomento. Interromper o fluxo de recursos para essas instituições constitui um equívoco que impedirá o país de enfrentar e resolver os grandes desafios sociais e econômicos que se apresentam.

Da mesma forma, as críticas a áreas específicas, como as humanidades e as artes, demonstram uma ignorância absoluta do papel fundamental que a busca por conhecimento exerce no desenvolvimento do pensamento crítico e criativo, bem como na formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social, à redução das desigualdades e ao respeito à diversidade.

Diante de tudo isso, cabe à Unicamp unir-se às demais instituições que buscam reagir às investidas contra as universidades públicas e, por conseguinte, ao violento processo de desmonte dos sistemas nacionais de educação superior e de ciência, tecnologia e inovação.

A comunidade acadêmica da Unicamp reafirma, aqui, o seu compromisso com a defesa das liberdades de cátedra e de livre organização associativa e estudantil. É preciso, neste momento, zelar pelo patrimônio inestimável que as universidades públicas representam para o Brasil. Urge uma consistente mobilização para evitar que os frutos de tantos anos de investimento de toda a sociedade sejam colocados em risco por uma política que ignora tanto o passado, quanto o presente, e ainda ameaça o futuro do país. A isso, é preciso reagir!

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