Arte&Cultura

HOJE O BOI TAMBÉM FALA GRAÇAS A DEUS (relembrando e fortalecendo a versão tradicional de Barão) (EDITORIAL)

Devido  à pandemia do  COVID-19  a  Festa do Boi Falô  não está sendo realizada hoje, Sexta Feira Santa,  como era realizada desde 1988, por determinação de um de seus criadores, o subprefeito Donizeti Gomes, seguindo a determinação de quarentena do prefeito.

ISSO FOI ÓTIMO porque PELO MENOS ESSE ANO A MÍDIA E A PREFEITURA NÃO IRÃO DIVULGAR A VERSÃO DELES QUE NÃO É A LENDA TRADICIONAL DE BARÃO.

Importante relembrar aqui a lenda tradicional – registrada pela primeira vez ainda nos anos 1970 por historiadores e jornalistas (como divulgamos no ano passado contava que: Numa sexta feira da paixão (dia da morte de Jesus Cristo) um CAPATAZ da fazenda Santa Genebra mandou um escravo ou trabalhador (ha versões diferentes) buscar um boi que estava deitado no Capão do Boi (local que hoje é proximo da praça de entrada de Barão e do qual resta uma praça sem nome) . O empregado (escravo ou trabalhador) foi até o local tocar e buscar o boi e quando o tocou para se levantar , ouviu o boi dizer “Hoje não é dia de trabalhar! Hoje é dia de Nosso Senhor Jesus Cristo”. E ao ouvir isso o caboclo voltou correndo para o capataz dizendo que o boi teria falado , o que fez com que o capataz fosse ao local e ele mesmo também ouviu o boi falar. Evidentemente as versões contadas enfatizam qu e ambos inicialmente não acreditaram no que ouviram e tentaram novamente, com o boi repetindo a fala.

Essa versão foi registrada pelo antigo reporter Allan Gomes, com dona Albertina Martins que disse que a ouviu nos anos 1920 quando chegou a Barão , por Jolumá Brito e por Cesar Nunes nos anos 1970 e 80. NÃO HA REGISTRO ANTERIOR
apesar da Prefeitura de Campinas realizar uma Semana do Folclore ANUAL dentre os anos 1969 e 1983.

A lenda é uma criação do passado que não se sabe quando foi criada (se foi no período escravocrata ou já depois dele) Conforme os principais especialistas como Claude Levi Strauss, Joseph Campbell, Grimal, Eliade e outros Toda lenda ou mito busca explicar a relação do ser humano com algo divino com algo sobrenatural, superior ao ser humano. E só é tradicional se for passada de geração em geração de forma mais igual possivel ao que era antes. (se qualquer lenda é recriada diferente hoje, a partir de valores modernos, ela NÃO E TRADICIONAL , e sim moderna. Exatamente seu oposto . Pode ser uma criação artistica moderna mas não é a lenda tradicional

Percebe-se CLARAMENTE que a lenda tenta fortalecer – na forma da cultura popular da época – um dogma católico da proibição do trabalho ou qualquer outra atividade na Sexta Feira anterior ao Domingo de Páscoa. para que se fortaleça o luto e a culpa pela morte de Cristo – que ressuscitou 3 dias depois. E portanto NADA tem a ver com escravidão, não aconteceu um ano determinado e nem com uma pessoa determinada a quem os idealizadores da festa passaram a atribuir (e que NUNCA foram falados pelos antigos moradores de Barão) Ela tenta apenas relembrar um compromisso ético tradicional do ser humano com o mito cristão. muito bem descrito nos Evangelhos.
A lenda APENAS continua uma tradição da Sexta Feira da Paixão – que conforme todos os historiadores de Campinas concordam entre si – foi A MAIOR e mais mobilizadora de todas as tradições religiosas da historia da cidade, tanto na elite branca , como pelos escravos e os moradores e população mais pobre livre. EM geral Todos eles contam que todos em Campinas se fehcavam em casa nesta Sexta Feira da paixão , jejuavam, usavam roupas pretas as mulheres cobriam os cabelos e os que oravam , oravam em casa Nenhuma atividade além da oração. Nem missa havia.

Evidentemente que essa concepção de vida e essa forma de pensar com base em “mistérios” de Deus e “causos” de assombração não tem mais nada a ver com nossa vida moderna nem pode determina-la em respeito ao Direito à Fe de cada um . Portanto consideramos que É UMA TREMENDA IRRESPONSABILIDADE – e até CRIME CONTRA A CULTURA POPULAR – tentar transforma-la num fato histórico realmente acontecido (tentando colocar personagens historicos reais e datas que nunca fizeram parte dela – assim como qualquer outra lenda brasileira) , ainda mais porque essa lenda é comprovadamente uma recriação local de uma historia que ocorreu também em outros locais do pais e do mundo.

Claro que não defendemos aaqui que a vida moderna deva seguir os principios da lenda Talvez APENAS AOS CRISTÂOS devessem se resguardar nesse dia de trabalhos ou qualquer outra ativdade para APENAS refletirem e orarem pela Morte de Jesus Cristo. Isso não é obrigação de quem não segue ou acredita nos dogmas cristãos. Mas CONSIDERAMOS UMA OBRIGAÇÃO ÉTICA DOS NÃO CRISTÃOS RESPEITAREM as crenças do passado E NÂO usa-las como instrumento de ódio de classes , de politica, brincadeira, dizer que “era um empregado preguiçoso” ou lutando contra a escravidão ou pior ainda , motivo para comer macarrão de graça. ou engrandecimento politico pessoal.
Nossa responsabilidade portanto é MANTER a tradição como ela era, mostrando a beleza ética DO PASSADO e pensando o ser humano como fraco e incapaz diante de manifestações da Natureza (assim como essa pandemia que hoje nos acomete) e todas as ” lendas” que continuamente nós humanos criamos para explica-la (se foi criada em laboratorios por China ou EUA etc etc,etc e pedimos às autoridades QUE RESPEITEM A LENDA TRADICIONAL!

VEJA  FONTE  ABAIXO

https://pt.wikipedia.org/wiki/Festa_do_Boi_Fal%C3%B4

 O JORNAL DE BARÃO DEFENDE O  TOMBAMENTO E PRESERVAÇÃO DA PRAÇA  COMO PATRIMONIO  HISTORICO TURISTICO  DA CULTURA POPULAR DE  BARAO GERALDO

Jpeg

PRAÇA  DO CAPÃO DO BOI – LOCAL TIDO COMO MAIS PROXIMO ONDE O BOI TERIA FALADO E QUE OS ANTIGOS BARONENSES  TINHAM MEDO DE PASSAR PERTO

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