Ambientalismo

Nota de falecimento: pastor Gustavo Schünemann

Comunicamos com muito pesar o falecimento do Pastor Gustavo Adolfo Schünemann, ocorrido dia 21/8 na Santa Casa em Valinhos/SP. pastor Gustavo, da igreja presbiteriana de Valinhos morava no Jardim do Sol onde plantou mais de 700 árvores, todas catalogadas e cuidadas por ele A cerimônia de despedida foi no Cemitério Flamboyant de Campinas/SP.

Comunicamos o falecimento do pastor Gustavo Adolfo Schünemann, aos 96 anos, ocorrido dia 21/8 na Santa Casa em Valinhos/SP após ser vitima de um AVC. Pastor Gustavo, da Igreja Luterana Alemã de Valinhos, morava no Jardim do Sol onde plantou 879 árvores e construiu um bosque. Todas catalogadas e cuidadas por ele A cerimônia de despedida foi no Cemitério Flamboyant de Campinas/SP.

Segundo o morador Ingo Walter Dostal foram 40 anos de dedicação no plantio das árvores. Pastor Gustavo já tinha a debilidade de um senhor de 96 anos, com um pouco de Alzheimer. “Quando o encontrei a última vez (antes do início da pandemia) já estava com cuidados devido a idade porém ainda muito ativo, conversador, bem.” Ingo tambem declarou: “Tive o privilégio de conhecer o pastor e trabalhei voluntariamente numa associação educacional aonde uma das filhas foi diretora pedagógica. É muito linda a história de superação e o legado que deixou para os moradores do bairro. “

BIOGRAFIA FEITA POR SEU IRMÃO

Gustavo nasceu no dia 7 de março de 1925 em Augusto Pestana/RS. Estudou no antigo Instituto Pré-Teológico (IPT). Testemunhou a fundação da Faculdade de Teologia em São Leopoldo/RS em 1946. Casado com Gertrudes Pollmann Schünemann, a união foi abençoada com cinco filhas (Beate, Christa, Ursula, Susanne e Dorothea).

Gustavo Schünemann fez parte da primeira geração de pastores formados no Brasil. Por conta da situação do pós-guerra e da perspectiva da construção de uma igreja com articulação nacional, esta geração foi uma geração empreendedora. Organizar comunidades e paróquias, construir templos e escolas nos mais diversos contextos geográficos fez parte de sua rotina. Uma geração movida por desafios e por uma grande paixão: criar uma igreja luterana autóctone no Brasil.

Durante o curso de teologia esteve atuando durante um ano (1946-1947) em Palmitos/SC nas funções de pastor da paróquia e de diretor da escola comunitária.

Concluído o curso de teologia em 1949, foi enviado para a cidade de Santa Rosa/RS, onde em terrenos, cheios de unha-de-gato, esteve à frente da construção do templo, do casa pastoral e de uma escola comunitária (hoje Instituto Sinodal da Paz). Nesta paróquia atuou de 1949 a 1964.

De Santa Rosa/RS segue para Porto Alegre/RS e encara o trabalho na metrópole. Navega novamente entre pastorado e magistério no bairro dos Navegantes. Escola da Paz e comunidade confluem em seu ministério no bairro famoso por suas procissões fluviais no dia 2 de fevereiro. A sua permanência neste campo de trabalho foi de 1964 a 1969.

Um novo desafio se apresenta: Assumir a Paróquia e Centro Social Bom Samaritano no Rio de Janeiro. Localizado ao pé do Morro do Cantagalo em Ipanema (favela famosa ainda hoje), o trabalho do centro social representava uma forma nova de marcar presença da igreja no contexto urbano. Pastor Gustavo conjugou trabalho pastoral e diaconal de 1970 a 1976.

Tendo atrás de si este itinerário pastoral, educacional e diaconal, eis que nos últimos dez anos de seu ministério se apresenta um novo desafio: articular a missão.

Lideranças são forjadas no tempo pelo enfrentamento de grandes desafios. Gustavo Schünemann chegou a Campinas no auge da sua maturação. A passagem por diversas paróquias tinha-lhe conferido a têmpera necessária.

E os frutos não tardaram. A União Paroquial da Região de Campinas é um deles. E os frutos foram bastante saborosos já que em outros quintais eles tiveram, muitas vezes, um gosto um tanto amargo e azedo. A atuação em Campinas foi de 1977 a 1987.

Os ares de Campinas fizeram muito bem a ele e a Gertrudes e decidiram viver seus anos de aposentadoria na cidade. No bairro Jardim do Sol em que residiu foi o criador de um grande bosque.

O Senhor é minha luz e minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei? – Salmo 27.1

Pastor Rolf Schünemann

Thea Schünemann Miranda

“Essa foto (abaixo) foi tirada três meses antes, quando minha irmã Christa foi festejar seu aniversário junto dele. Que lindo e merecido sorriso a Christa recebeu, afinal foi ela quem cuidou do Vati ( como sempre o chamamos ) nesses últimos anos. Como se ele fosse seu bebê recém nascido. Atenta para que nenhum vento mais forte o atingisse, para que todo alimento o nutrisse, para que tivesse todo conforto ao dormir e ao acordar, para que pudesse estar até o momento da partida em sua casa, no bairro Jardim do Sol em Barão Geraldo em Campinas, Vati viveu uma vida plena até os 96 do segundo tempo. Jogou muito bem a partida. Bateu todos os pênaltis dentro do gol! Não jogou bola fora, e nem desperdiçou suas chances. Foi pastor luterano, mas daqueles que botam a mão na massa, constroem e dirigem escolas e centros sociais, fazem do verbo ação!!! O amor ao próximo como atitude, foi o que ele tentou nos ensinar.

Na sua vida particular teve um casamento feliz e realizado com Gertrud, com quem gerou e educou 5 filhas. Nenhum guri parceiro prá dar conta de tanta mulher junta. Terá sido esse o maior desafio??? A mãe e as filhas disputavam sua atenção a tapa. Então não deve ter sido nada fácil apaziguar e agradar a todas, né?

Na mesa do café da manhã, por exemplo, bastava o Vati olhar para seu objeto de desejo, manteiga, geleia, queijo, ou outro qualquer, para que as seis nos debruçássemos para lhe alcançar o que ele queria. Ele não precisava proferir nenhuma palavra, bastava olhar, e a gente corria!!! Isso deve ter dado uma certa canseira, né?

Nos últimos 40 anos, ele se dedicou ao plantio de 879 árvores em um terreno baldio da prefeitura em frente a sua casa no bairro Jardim do Sol. Isso mesmo, 879, nem uma a mais, nem uma a menos. Ele plantou e cuidou, e quando o tempo estava muito seco como agora, ele ficava agoniado olhando para o céu, esperando pela chuva que não vinha.

O bosque ficou mesmo uma lindeza. E há alguns anos ele, junto com sua filha Uxy, catalogou e nomeou todas as espécies que conseguiu identificar. Um trabalho que lhe proporcionou também o estudo cuidadoso das árvores nativas do Brasil.

Enquanto o Vati estava hospitalizado em seus últimos dias de vida, vi crianças brincando no bosque, cachorros correndo e fazendo suas necessidades, adultos se exercitando pela manhã e no fim da tarde. Esse é de fato um bosque para se viver em comunidade, para se estar junto, o que aprendemos a valorizar sobre maneira nesses tempos de pandemia.

Um bosque que nos fala da necessidade de preservar a natureza e de que o homem é parte dela.

O que sinto por esse homem alto, forte e risonho do interior do Rio Grande é uma imensa gratidão. Por ter me gerado, por ter me ensinado, por ter se desentendido comigo em opiniões politicas divergentes, por ter demonstrado que o amor é antes de tudo uma ação. Por ter me presenteado com suas ultimas palavras, em uma faísca de lucidez: Du bist ja aber auch eine Schünemann!!!

É isso Vati, somos Schünemann !!!

Que você viva em nós, suas Schünefrauen, seus genros, sua neta e seus netos, seus bisnetos, seus amigos, seus alunos, seus discípulos, seus colegas, em todos que cruzaram seu caminho, como essa lição maior que é o amor: “O amor como atitude!””

Thea Schünemann Miranda

1 resposta »

  1. Creio que seria interessante que o Bosque plantado pelo Pastor no Jardim do Sol (atual Praça Universo) fosse rebatizado em homenagem a ele. Foram 20 anos de dedicação e empenho em transformar uma praça vazia eu um lindo bosque.

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